O enfermeiro de urgência, emergência e UTI cuida do paciente crítico em três momentos: no atendimento pré-hospitalar (como no SAMU), na porta de entrada dos serviços (pronto-socorro e UPA) e na terapia intensiva. A rotina inclui classificar risco, estabilizar, monitorar, preparar e administrar medicamentos de alto risco e manejar a ventilação mecânica. Quem procura uma pós em urgência e emergência na enfermagem busca justamente esse conjunto de competências, que tem regras próprias definidas pelo Cofen, pela Anvisa e pelo Ministério da Saúde.
Onde o enfermeiro de urgência e UTI trabalha
Os três campos atendem o mesmo tipo de paciente, o grave, mas com estrutura, ritmo e normas diferentes.
| Campo | O que caracteriza o trabalho | Referência normativa |
|---|---|---|
| Atendimento pré-hospitalar móvel (SAMU 192) | Atendimento no local da ocorrência e transporte, com recursos limitados e decisão rápida | A unidade de suporte avançado terrestre tem no mínimo condutor, enfermeiro e médico (Portaria GM/MS nº 1.010/2012, hoje consolidada na Portaria de Consolidação nº 3/2017) |
| Pronto-socorro e UPA | Demanda espontânea, fluxo intenso e necessidade de priorizar quem precisa de atendimento primeiro | Classificação de risco privativa do enfermeiro na equipe de enfermagem (Resolução Cofen nº 661/2021) |
| Unidade de terapia intensiva | Monitorização contínua, suporte de órgãos, ventilação mecânica e alta densidade de procedimentos | Requisitos mínimos de funcionamento na RDC Anvisa nº 7/2010 |
O caminho do paciente costuma ligar esses campos. O enfermeiro que entende a etapa anterior e a seguinte trabalha melhor na sua.
Competências do enfermeiro no paciente crítico
Classificação de risco
Na porta de entrada, o enfermeiro decide a ordem de atendimento. A Resolução Cofen nº 661/2021 define que, no âmbito da equipe de enfermagem, a classificação de risco e a priorização da assistência são privativas do enfermeiro. A mesma norma exige curso de capacitação específico no protocolo adotado pela instituição e consultório com condições adequadas. Ela também fixa um tempo médio de 4 minutos por classificação, com limite de até 15 classificações por hora, e diz que o enfermeiro não deve exercer outras atividades enquanto classifica.
Suporte avançado de vida e ventilação mecânica
No suporte avançado, o enfermeiro trabalha junto com o médico na parada cardiorrespiratória, no manejo da via aérea e na monitorização. A ventilação mecânica tem norma específica: a Resolução Cofen nº 639/2020 afirma que é competência do enfermeiro a montagem, a testagem e a instalação de ventiladores mecânicos invasivos e não invasivos em adultos, crianças e neonatos. Também cabem a ele a monitorização, a checagem de alarmes, o ajuste inicial e o manejo dos parâmetros, estes dois últimos sob coordenação médica. A resolução lista ainda cuidados como a fixação do tubo, o controle da pressão do balonete, a aspiração de vias aéreas e o cuidado com a traqueostomia.
Farmacologia aplicada
Drogas vasoativas, sedativos, analgésicos, antiarrítmicos e antimicrobianos fazem parte do dia a dia. O enfermeiro prepara, calcula, administra por bomba de infusão, observa compatibilidade entre soluções e monitora a resposta do paciente. Erro de diluição ou de velocidade de infusão nesse contexto tem consequência rápida.
Gestão, comunicação e terminalidade
Na UTI, o enfermeiro organiza a assistência, distribui a equipe, confere materiais e registra. Ele também conversa com famílias em momentos difíceis, inclusive quando o tratamento deixa de buscar a cura e passa a priorizar o conforto. Essa parte do trabalho pesa tanto quanto a técnica.
Normas que definem a equipe de enfermagem na UTI
A RDC Anvisa nº 7/2010 estabelece os requisitos mínimos para funcionamento de unidades de terapia intensiva. Em parecer de março de 2026, o Cofen ainda a usa como referência para o funcionamento das UTIs. Para quem pensa em trabalhar com enfermagem em UTI, três pontos interessam diretamente:
- O enfermeiro coordenador da UTI deve ser especialista em terapia intensiva ou em outra especialidade relacionada à assistência ao paciente grave, específica para a modalidade de atuação (art. 13).
- Deve haver no mínimo 1 enfermeiro assistencial para cada 10 leitos ou fração, em cada turno. O texto original previa 1 para cada 8 leitos; a proporção mudou com a RDC nº 26/2012.
- Deve haver no mínimo 1 técnico de enfermagem para cada 2 leitos, em cada turno.
O Cofen tem parâmetros próprios de dimensionamento. A Resolução Cofen nº 743/2024 revogou a antiga Resolução nº 543/2017, e os parâmetros passaram ao Parecer Normativo nº 1/2024/Cofen. Para o cuidado intensivo, ele prevê 18 horas de enfermagem por paciente nas 24 horas, das quais 52% devem ser de enfermeiros e o restante de técnicos de enfermagem. A RDC fixa o mínimo sanitário para o serviço funcionar; o parecer do Cofen trata do dimensionamento da equipe de enfermagem. São instrumentos diferentes, e o enfermeiro que coordena uma unidade precisa conhecer os dois.
Normas mudam. A leitura oficial está nos textos citados, nos sites da Anvisa, do Ministério da Saúde e do Cofen, e este resumo não é orientação jurídica.
Pós em urgência e emergência: enfermagem do pré-hospitalar à UTI
A pós-graduação em Enfermagem em Urgência e Emergência e Atenção em UTI da YnovaPós segue esse mesmo percurso. O currículo cobre urgências clínicas e traumáticas, populações especiais, suporte avançado de vida com princípios básicos de ventilação mecânica, bases farmacológicas e três módulos de cuidados intensivos. Entram também a gestão da assistência na UTI, bioética, biossegurança e a comunicação no cuidado, inclusive no processo de terminalidade.
A ligação com a prática vem de três pontos da grade:
- Visita técnica em urgência, que mostra na prática, dentro de um serviço de urgência, o conteúdo visto em sala.
- Visita técnica em UTI, que faz o mesmo no ambiente de terapia intensiva.
- Disciplina de suturas, dentro da formação voltada ao paciente de urgência. Os limites de atuação seguem as normas do Cofen e os protocolos de cada instituição.
O curso tem 400 horas, 17 disciplinas e duração de 16 meses, com aulas presenciais em Imperatriz (MA) em um fim de semana por mês. As visitas técnicas podem acontecer em dia de semana, conforme a disponibilidade da unidade de saúde. É exclusivo para enfermeiros, e o artigo final é opcional.
Este texto é educativo e não substitui protocolos institucionais, prescrição ou avaliação profissional.
Referências
- Resolução RDC nº 7, de 24 de fevereiro de 2010: requisitos mínimos para funcionamento de UTI. Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), via Saúde Legis/Ministério da Saúde.
- Resolução RDC nº 26, de 11 de maio de 2012: altera a RDC nº 7/2010. Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), via Saúde Legis/Ministério da Saúde.
- Parecer nº 19/2026/Câmaras Técnicas de Enfermagem. Conselho Federal de Enfermagem (Cofen).
- Resolução Cofen nº 661/2021: participação da equipe de enfermagem na classificação de risco. Conselho Federal de Enfermagem (Cofen).
- Resolução Cofen nº 639/2020: competências do enfermeiro no cuidado ao paciente em ventilação mecânica. Conselho Federal de Enfermagem (Cofen).
- Resolução Cofen nº 743/2024: revoga a Resolução Cofen nº 543/2017. Conselho Federal de Enfermagem (Cofen).
- Parecer Normativo nº 1/2024/Cofen: parâmetros de dimensionamento da equipe de enfermagem. Conselho Federal de Enfermagem (Cofen).
- Portaria nº 1.010, de 21 de maio de 2012: diretrizes do SAMU 192. Ministério da Saúde.
- Portaria de Consolidação nº 3/2017: normas sobre as redes do SUS. Ministério da Saúde.